22 Aug Smart Contracts: tecnologia blockchain e a descentralização das relações comerciais
Como os contratos inteligentes vão acabar com o tradicional modelo centralizado das relações comerciais?
Entendendo o blockchain
Para responder a pergunta principal deste artigo, primeiro precisamos entender o que é o blockchain e como ele funciona.
A primeira aplicação da tecnologia blockchain foi o bitcoin, lançada em 2009. Em síntese, o bitcoin é criptomoeda cujas transações acontecem sem a intermediação de instituições financeiras e/ou governamentais.
As operações são realizadas de pessoa para pessoa e são registradas em modo público e aberto na internet para quem quiser acompanhar.
Sobretudo, o blockchain é um sistema descentralizado que dispensa os intermediários. Mas o sistema não se limita à aplicação de moedas digitais.
A princípio, o blockchain do bitcoin não foi criado para as empresas criarem aplicativos e processos. Mas, nos últimos anos, surgiram outras plataformas blockchain, como a Ethereum e a IBM, com o objetivo de ajudar as empresas a construir novas aplicações a partir desta tecnologia.
Essa tecnologia passou a ser utilizada em smart contracts ou contratos inteligentes, soluções automatizadas que também são conhecidas como contratos auto-executáveis.
O Ethereum, por exemplo, é essencialmente uma plataforma blockchain especializada em contratos inteligentes. A saber a criptmoeda conhecida como ether é a segunda mais valorosa do mundo.
Do mesmo modo, o Ethereum também é público e permite que as pessoas criem “aplicativos descentralizados” em sua plataforma.
A descentralização do atual o modelo
Neste cenário, passam a se destacar cada vez mais os contratos inteligentes. De forma simplificada, pode se acentuar que esses documentos podem ser convertidos em um código de computador.
A partir desta conversão, tornam-se dispositivos armazenáveis e replicáveis pelo sistema. Logo, podem ser monitorados pela rede de computadores que executam o blockchain.
O que isso significa? Em primeiro lugar, que o sistema passa a eliminar a atuação de um intermediário. E qual a consequência? Uma economia ou uma nova relação de mercado marcada pela autonomia do cidadão.
Logo, qualquer tipo de troca pode ser realizada, desde aluguéis de propriedades, venda de títulos e ações, apólices de seguros, entre outras tantas, o que ocasiona cada vez mais uma descentralização das relações financeiras.
Enfim, os mais entusiastas conseguem prever uma nova economia na qual qualquer coisa de valor (e de muito valor) poderia ser negociada por meio de contratos inteligentes.
Tudo isso com a vantagem de ser uma transação transparente e livre de conflitos dos tradicionais acordos comerciais.
Para entender melhor a aplicação da tecnologia dos contratos inteligentes, vale destacar a explicação de co-fundador da Ethereum, Vitalik Buterin:
“… um ativo ou moeda é transferido para um programa e o programa executa esse código. Em algum momento ele automaticamente valida uma condição e determina automaticamente se o ativo deve ir para uma pessoa ou voltar para a outra pessoa, ou se deve ser imediatamente reembolsado para a pessoa que a enviou ou para uma combinação disso. ”
A aplicação dos contratos inteligentes
Sem dúvidas, os contratos são parte integrante do nosso dia a dia. Os utilizamos em quase todas as transações e operações.
Mas o maior problema está no volume e na complexidade que os contratos tradicionais acarretam. Além do mais, estamos sempre na dependência de um sistema de terceiros, como advogados, locatários e etc.
Já a medida que os processos se tornam cada vez mais automatizados, também-se busca uma forma de tornar esses acordos cada vez mais seguros e confiáveis.
É neste contexto que os contratos inteligentes, por meio do armazenamento e execução da tecnologia blockchain, podem simplificar e agilizar os acordos legais.
Os contratos inteligentes poderiam ser usados por exemplo para agilizar os procedimentos relacionados a seguros, visto que uma indenização às vezes arrasta-se por meses.
Para Jerry Cuomo , vice-presidente de tecnologias blockchain da IBM, os contratos inteligentes podem ser usados em toda a cadeia de serviços financeiros e, inclusive, para tornar eleições governamentais mais confiáveis e realizadas de forma online.
Para os especialistas, até mesmo as relações de trabalho seriam beneficiadas, visto que os contratos inteligentes se transformariam em ferramentas eficientes para gerir acordos dentro de prazos específicos e da legalidade.
Sem falar na questão do gerenciamento dos colaboradores por meio do sistema inteligente aplicável a esses contratos de trabalho.
Outra área que poderia ser beneficiar é o gerenciamento da cadeia de suprimentos, visto que o produto pode ser monitorado em cada etapa do processo de entrega até chegar ao cliente.
E no decorrer de tudo isso, ou seja, no ínterim ou no espaço de tempo que tudo isso acontece, menos custos, menos burocracia, mais precisão e segurança para qualquer tipo de operação.
Em longo prazo, poderia se antever até mesmo transações mais justas, equilibradas e, porventura, uma maior sustentabilidade do sistema econômico, social e político, visto que haveria menos espaço para fraudes e teias corruptivas.
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