Advocacia Digital é uma necessidade de sobrevivência, não um “bônus”

Advocacia Digital é uma necessidade de sobrevivência, não um “bônus”

Cada vez mais ouvimos falar em Advocacia Digital e integração de novas tecnologias no ambiente jurídico. Embora o avanço desses conceitos esteja acontecendo e ganhando aceitação no meio, a seriedade atribuída ainda está aquém do que deveria.

Enquanto enxergarmos a integração digital da advocacia como um “bônus” do advogado, não vamos perceber sua necessidade para a permanência dos profissionais no mercado.

Parece exagero. Mas não é. E existe uma maneira simples de entender a importância crucial da inovação na advocacia: percebendo sua próxima geração de clientes.

Como um dos porta-vozes da ADVBOX, empresa que auxilia na transformação digital de advogados, palestrei algumas vezes para públicos distintos sobre essas ideias. Entretanto, em 2017 recebi um convite fora do usual. Uma escola solicitou que eu conversasse com crianças e adolescentes de 8 a 13 anos sobre o uso correto da internet.

Decidi transformar a conversa em uma experiência que poderia me trazer novas informações para levar para advogados. Afinal, eu estaria falando com pessoas que serão possíveis clientes de advogados nos próximos 20 ou 30 anos.

Nesta experiência, me dirigi às professoras para mostrar a mudança cultural que existe entre elas e seus alunos. Exibi uma série de fotos de atores e atrizes renomados nacionalmente, mas que possuem idade acima de 50 anos. Francisco Cuoco, Fernanda Montenegro, Antônio Fagundes, Regina Duarte… Todas as professoras conheciam aquelas personalidades. Mas nenhum dos alunos.

Quando exibi fotos de youtubers e celebridades do Instagram, o quadro se inverteu. Ao mostrar uma imagem de Whindersson Nunes, a vibração dos alunos era equivalente ao próprio ter entrado na sala. As professoras, por sua vez, não sabiam de quem se tratava.

Hoje em dia, quando falo da necessidade de investir em marketing jurídico digital e de estar a par de novas tecnologias disponíveis para o aprimoramento do trabalho do advogado, o ponto de partida é sempre esse. Quem é o cliente que vai manter seu escritório lucrando daqui a 20 anos?

É o cliente que, hoje, faz parte de uma geração que não conhece o mundo offline. Quando ele nasceu, a internet em alta velocidade, disponível em smartphones, já era uma realidade de grande abrangência no Brasil.

Por isso, pensar que o advogado que possui um escritório digital ou que se dedica a ter uma presença forte na internet está fazendo isso por vaidade, ou para ter um “bônus” na sua prática em comparação aos demais no mercado, é um erro.

Na verdade, ele está se assegurando de que continuará no mercado dentro de poucos anos.

Embora você não dependa hoje de atividade digital para manter seu escritório ativo, o que acontecerá quando seus clientes tiverem a internet como fonte principal de confiança e credibilidade?

Essa é a uma realidade que já está mostrando dados. As atividades e-commerce (comércio pela internet), por exemplo, crescem em média 12% ao ano. São aproximadamente 50 bilhões de reais movimentados a cada 12 meses (e crescendo). Em comparação a dez anos atrás, isso demonstra que as pessoas estão passando a optar por serviços online e a confiar neles cada vez mais, e em grande velocidade.

A advocacia pode não fazer parte de maior fatia desse bolo. Mas fará. Talvez aos olhos do advogado de hoje pessoas de 15 anos de idade não devem ser consideradas potenciais clientes. Mas para os olhos de muitos outros mercados, são.

O segmento infantil e adolescente é um dos mais agressivos em vendas online e em conteúdo digital. Os maiores canais de YouTube do mundo são voltados para este público. No Brasil, um terço das transações de e-commerce (os dados mencionados acima) foram voltadas para essa faixa etária. O que isso nos ensina?

Que o mercado online usa o DNA digital da nova geração e constrói, cada vez mais, uma cultura que alimenta esse tipo de consumo. E quem serão esses consumidores daqui a 20 anos? Médicos, professores, engenheiros, arquitetos, enfermeiros, motoristas, metalúrgicos, jornalistas… Seus clientes!

O avanço da cultura online se tornou inevitável e, dentro de no máximo duas décadas, teremos estereótipos de trabalhadores no mercado muito diferentes dos de hoje.

Portanto, analisando dessa forma, fica muito claro que a sua atividade online como advogado é fundamental para que você tenha alguma chance de se manter no mercado nos próximos anos. Você já está investindo na sua sobrevivência digital?

 

Sobre o autor:

Lucas Steinmetz (conhecido como Moita) é produtor de conteúdo para a internet desde 2007, YouTuber desde 2009 e se formou em jornalismo em 2014. Se especializou em marketing jurídico e SEO trabalhando na Koetz Advocacia (primeiro escritório 100% digital do Brasil) e atualmente atua na transformação digital de escritórios de advocacia com a ADVBOX.

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2 Comments
  • Eduardo koetz
    Postado às 10:23h, 19 março Responder

    Muito bom, concordo !!

  • Wilson Santos
    Postado às 12:24h, 20 março Responder

    Quem não se integrar aos avanços tecnológicos, certamente, será “engolido” pelo mercado. A inteligência artificial já é uma realidade.

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